Desafios na Educação, direitos humanos, emprego e sustentabilidade | #DCP2020 main stage - EP. 17



Mediação: Cassia Moraes, Youth Climate Leaders (YCL)


Palestrantes: Amanda Costa, Youth Climate Leaders (YCL), Alessandro Molon (Dep. Federal PSB-RJ), Tulio Gadelha (Dep. Federal pelo PDT-PE), Rodrigo Agostinho (Dep. Federal PSB-SP)


Lição: A crise climática não é um problema do futuro, é um desafio do presente! Para enfrentá-la, é necessário capacitar novos atores, fomentar parcerias intersetoriais e investir em educação, inovação e tecnologia.

O painel “Desafios na Educação, Direitos Humanos, Emprego e Sustentabilidade” começou com uma breve introdução da CEO e fundadora do Youth Climate Leaders (YCL) Cássia Moraes, que trouxe um panorama geral sobre os principais desafios enfrentados pelo governo brasileiro na atualidade. Para mudar esse cenário, o YCL se comprometeu em capacitar jovens interessados nas pautas socioambientais para se tornarem líderes no Brasil e no mundo, pautando a crise climática através de debates intergeracionais e intersetoriais.


Amanda Costa, mobilizadora de redes do Youth Climate Leaders, trouxe a perspectiva da juventude para a mesa de debate, fazendo um recorte para a questão racial e de gênero. De acordo com a ativista, são as mulheres pretas, periféricas, indígenas, quilombolas e ribeirinhas as mais impactadas pela crise climática, sendo esta uma mera consequência do sistema capitalista de supremacia branca. Desse modo, é necessário que mais jovens assumam o protagonismo da luta e tragam a causa climática não apenas como atividade voluntária ou como hobbie, mas desenvolvam carreiras que estejam fundamentadas no combate à crise do clima. A partir da análise individual, coletiva e política de cada indivíduo, será possível questionar o status quo e entender o papel social que cada agente precisa assumir para acelerar a transição para um planeta sustentável.


O segundo palestrante foi o deputado Alessandro Molon, integrante do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que ressaltou a importância da juventude internacional no engajamento climático, principalmente em pautas relacionadas à justiça intergeracional. Além disso, Molon externalizou sua preocupação com o futuro da educação brasileira, que tem sido alvo de desprezo e fake news pelo atual governo federal. A pandemia evidenciou o cenário desigual que afeta as diferentes classes do Brasil, intensificado pelo projeto obscurantista e elitista de um governo que nega a existência climática. De acordo com o deputado, precisamos quebrar o ciclo vicioso das desigualdades investindo em ciência, educação e tecnologia, com o intuito de acelerar a transição energética e transformar o Brasil num país neutro na emissão de carbono. Para isso se tornar viável, é imprescindível a pressão da sociedade civil, mudança nos governos internacionais e demanda de mercado de consumo.


Rodrigo Agostinho, deputado federal pelo Partido Socialista Brasiliero, iniciou sua narrativa contando como ingressou nas causas socioambientais. O deputado fundou uma ONG com apenas 16 anos e também participou da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. Ele salientou que, apesar de muitas pessoas pensarem que a crise climática é algo do futuro, as consequências desse distúrbio ambiental já podem ser sentido nos dias de hoje. De acordo com o deputado, o tema é desafiador e afetará diferentes áreas da sociedade, como saúde, alimentação, energia, educação etc. Desse modo, precisamos de políticos capacitados para debater esse tema, que entendam a relevância, a gravidade e a urgência desta crise. Desse modo, é extremamente importante que o profissional do clima tenha uma visão ampla e holística, com habilidades para pautar a temática a partir de uma lente multidisciplinar. O Brasil ainda não tem capacidade para enfrentar esse desafio, sendo necessário concentrar esforços para melhorar a capacidade de diálogo entre setores estratégicos da sociedade e criar políticas públicas que possibilitem o desenvolvimento de um país socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente responsável.


Túlio Gadelha, integrante do Partido Democrático Trabalhista, encerrou a mesa trazendo a necessidade de ampliar o debate climático como algo do presente, e não do futuro. Segundo o deputado, está crescendo o número de pessoas que desejam trabalhar com propósito, com o desejo de que a profissão escolhida também agregue valor para a sociedade. Dado que as pautas socioambientais estão conectadas, é essencial envolver as questões sociais, ambientais e econômicas para construir uma agenda sistêmica de interlocução com o poder público e de participação através dos conselhos e das conferências, os espaços legítimos de participação e engajamento da sociedade civil. Como principais desafios, o político elencou o teto de gastos, que limita os avanços sociais e faz com que cada vez mais estados percam poder de barganha monetário. Para mudar esse cenário, é necessário sensibilizar pessoas, ampliar parcerias e desenvolver projetos intersetoriais.



Amanda: Quando fazemos um recorte racial, as coisas ficam mais intensas. Os principais impactados pela crise do clima tem cor e gênero: são as mulheres pretas, periféricas, indígenas, quilombolas e ribeirinhas.


Qual é a relação do trabalho no século XXI?


Workactivism: trabalhar com propósito.


Não precisamos apenas trabalhar numa grande empresa para fundamnetar o sistema capitalista de supremacia branca, fazendo as pessoas ricas ficarem mais ricas e os pobres ficarem mais pobres, sendo apenas uma ferramenta desse sistema que é desigual estruturalemente.


Questione o seu lugar no mundo! Qual é o papel social que você está ocupando hoje?


Analise

Individualmente: qual é a ação que eu quero desempenhar hoje e qual é o impacto que ela causará no mundo? (Pensar global, agir local)

Coletivamente: Não vamos transformar a realidade do nosso planeta sozinhos, precisamos trabalhar em rede, articular e convidar os parceiros para estar perto de nós. Quando a gente trabalha em conjunto essa mudança é acelerada.

Politicamente: A mudança política é fundamental para acelerar essa transição. Precisamos de políticos engajados pelo clima e de políticas públicas que aceleram, fundamente e tragam essa mudança sistêmica e estrutural que o nosso planeta tanto precisa.


Essa mudança está acontecendo e quando trazemos os tomadores de decisão para perto, essa mudança é acelerada.


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3 principais mazelas: saude, educação e crise climática.


Enquanto não investirmos em educação


Molon: A pauta climática tem sido liderada pela juventude no mundo, pois coloca no centro a “justiça intergeracional”. Precisamos proteger o futuro da humanidade e das outras espécies.


Estou muito preocupado com a educação nesse país, pois o governo federal está desprezando-a. A educação tem um grande potencial para diminuir as desigualdades.


A pandemia evidenciou esse cenário: a pandemia.


O ciclo vicioso de reprodução das desigualdades vem se repetindo no Brasil pelo governo federal.


O governo atual cortou recursos educacionais e espalhou fake news sobre as universidades. Esse mesmo governo não acredita que é a ciência que pode nos ajudar a pautar uma outra política ambiental, sanitária, de segurança, de trânsito…


Tudo isso faz parte de um projeto obscurantista e elitista do governo que nega as mudanças climáticas. A educação é essencial para transformar o Brasil num país neutro na emissão de carbono.


Precisamos investir na ciência, na educação e na tecnologia. Se não fizermos isso, seremos eternamente o país que explora seus recursos naturais e extingue suas riquezas.


Investimento em educação, ciência e tecnologia para o Brasil entrar na era do conhecimento. Assim conseguiremos ser um país comprometido com a sustentabilidade.

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Maior desafio: o próprio governo Bolsonaro, que não reconhece as desigualdades do nosso país, a crise climática e a gravidade da pior pandemia nos últimos 100 anos.

  • Tentativa de impedir o retrocesso

  • Tentar novos avanços.

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Soluções: pressão da sociedade civil, pressão internacional e pressão do mercado


Rodrigo: Eu comecei muito jobem, na Rio 92 eu fui para a conferência protestar. Muitas pessoas ainda acham que as mudanças climáticas são algo do futuro, mas não é! As mudanças climáticas já estão acontecendo e o futuro não é bonito.


Esse tema é desafiador e crescerá cada vez mais. A energia do futuro é uma energia solar, eólica, milhares de empregos serão gerados nessa área, os carros serão elétricos, precisaremos de muitas pessoas para trabalhar com restauração ambiental, água.


Precisaremos de políticos que estejam capacitados para debater esse tema. Temos poucos parlamentares que entendem a relevância do tema.


O tema da mudança climática é essencial na manutenção da economia do mundo e não só na manutenção do equilíbrio do mundo.


O brasil tem hoje 1163 espécies ameaçadas, temos quase 2 dezenas de espécies de animais extintos. Precisaremos de pessoas para trabalhar em todas as áreas.


No entanto, as pessoas ainda estão enxergando isso como tema de futuro.


As carreiras ambientais ainda não são carreiras que seduzem, mas precisaremos de pessoas envolvidas em direitos humanos para trabalhar nas áreas de mudanças climáticas.


É muito importante que o profissional do clima tenha uma visão ampla e holística, que saiba debater diferentes temas a partir de uma lente multidisciplinar.

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Desafio: o Brasil é o 2º país que mais concentra renda do mundo (o 1% mais rico do Brasil concentra 28,3% da renda, ou seja, ⅓ de toda a renda do Brasil está concentrada em 1% da população).


A questão social, ambiental e econômica está conectada.


Brasil tem 20% de toda a biodiversidade do mundo, que pode ser comprometida com a crise climática.


Um país socialmente mais junto, economicamente viável e ambientalmente responsável.


O Brasil não é um país preparado para enfrentar esse desafio.


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Solução: melhorar a capacidade de diálogo com setores estratégicos da sociedade; articulação da sociedade civil


Túlio: Às questões climáticas não são pauta para o futuro, elas já afetam o presente. Está crescendo o número de pessoas que desejam trabalhar com propósito, fazendo com que a sua profissão agregue valor para a sociedade.


É preciso refletir sobre o consumo exacerbado.


Tivemos recentemente uma triplice epidemia: dengue, chikungunya e zica.


As pautas sociais e ambientais estão conectadas. É importante se envolver nas questões sociais, ambientais e construir uma agenda sistêmica de interlocução com o poder público e de participação através dos conselhos e conferências. Esses são os espaços legítimos de participação da sociedade civil.


Os gestores públicos também precisam escutar mais a população e articular as pautas socioambientais de forma articulada.


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Desafio: teto de gastos, que limita determinados avanços sociais; ausência de politicas publicas, estados quebrados.

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Oportunidades: Sensibilizar pessoas, conseguir parcerias para desenvolver projetos nessa área.



Confira a palestra na íntegra:


SOBRE O DIA DO PROFISSIONAL DO CLIMA

O Dia do Profissional do Clima (DCP), comemorado no dia 24 de Novembro, é um evento global cuja a principal missão é para acelerar ainda mais as soluções para a crise climática e desenvolver uma economia climática do século XXI com zero carbono.Também é uma oportunidade para sensibilizar jovens em início de carreira, ou pessoas em transição de carreira, para como as mudanças climáticas podem abrir oportunidades de trabalho e emprego conectadas com os desafios do século XXI, como por exemplo, transição energética, segurança alimentar, gestão de desastres e danos, turismo sustentável, entre outros. SAIBA MAIS.


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